MATÉRIA PUBLICADA NO "JORNAL IMPRENSA DO POLICIAL" (edição 17 - ano V - Julho/Agosto 2008-pág 12)

Vamos conhecer um pouco da vida desse batalhador que, digamos de passagem, não foi, em boa porta, o mar de rosas que muitos acham ater sido. Gesofato, em determinados momentos de sua vida, como se costumava dizer no interior comeu "o pão que o diabo amassou". Filho de imigrantes italianos, nascido na pacata cidade de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, ele, que nasceu no dia 17 de setembro de 1930, um deteminado dia resolveu ir para Campinas, uma cidade bem maior que São João, para lá "tentar a vida". E para a pretendida cidade seguiu, "em cima" de um caminhão. Já em Campinas, Gesofato começou a trabalhar como ajudante de pedreiro, e por capricho do destino, participou da construção inicial do atual CPA, antigo 8º Batalhão da Polícia Militar, instituição na qual mais tarde ingressaria como Policial. Isto, no dia 06 de agosto de 1946, portanto com 16 anos de idade, incompletos. Alistando-se nas fileiras da Força Policial, o menino Gesofato seguiu para o Batalhão de Guardas (antigo BG), onde, com muito gosto concluiu o Curso de Formação de Soldados. Em 1947, prestou concurso para o Curso de Cabos Cambatentes. Aprovado, freqüentou o Centro de Instituição Militar, o Curso de Formação de Cabos, durante seis meses, sendo aprovado na Força Pública, hoje denominada Academia de Polícia Militar. E devido sua excelente classificação, foi designado para ser Auxiliar de Monitor nos Cursos de Formação de Soldados (antigo FMI). E tinha apenas 18 anos de idade quando prestou concurso para o Curso de Formação de Sargentos, no qual foi também aprovado, passando a freqüentar durante um ano o Curso de Formação de Sargentos Combatente na antiga Força Pública do Estado de São Paulo. Concluído o curso e promovido à graduação de 3º Sargento, Gesofato imediatamente ingressou como associado do então Centro Social dos Sargentos da Força Pública, com sede na Avenida Celso Garcia, em São Paulo, ajudando a eleger o ex-Subtenente PM Herotildes Carvalho de Araujo, que marcou sua gestão à frente da entidade com um trabalho dos mais elogiáveis.
Aos dezenove anos de idade, Gesofato já estava contaminado pelo vírus classista de seus antigos companheiros, principalmente de Herotildes, e passou a lutar, naquela época, ao lado dos Subtenentes Knol e Ezequiel de Araujo (fundador do Clube dos Tenentes) em favor das reinvidicações dos Sargentos, que sempre sonharam e ainda sonham, com a carreira única na Polícia Militar do Estado de São Paulo. Gesofato sofreu punições disciplinares, por ter participado do movimento em favor dos "Praças". Em consequência das punições foi para o "mau comportamento", condição que permaneceu por dezesseis anos, sofrendo até ameaças de exclusão das fileiras da Corporação.
Mas, Gesofato já era um autêntico lider, e suportou tudo com galhardia e valentia. Nessa passagem muito difícil de sua vida, foi que realmente nasceu o líder Gesofato Vernin, que até hoje, ratifica essa virtude, comprovada pelas sucessivas vitórias em favor da classe.
GANHANDO PRESTÍGIO
Pela sua forma leal e transparente ao manifestar-se em favor de reinvicações justas, Gesofato foi ganhando prestígio político junto aos ex-governadores Lucas Nogueira Garcez, Ademar de Barros, Jânio Quadros, Abreu Sodré, Paulo Egídio Martins e Laudo Natel, prestígio que manteve junto aos governadores que sucederam o último daqueles, bem como junto à maioria dos Deputados Estaduais. Gesofato foi ganhando expressão dentro do Centro Social dos Sargentos, tendo, ainda na gestão do Subtenente Herotildes Carvalho de Araujo, participando e decidindo na luta reinvidicatória que se tornaria histórica na vida dos "Praças" de Polícia, face aos seguintes eventos:
1º - Subtenentes e Sargentos quando punidos eram "trancafiados" nos xadrezes sem nenhum respeito à dignidade humana. Conseguiu do Governador Jânio Quadros o primeiro direito dos Subtenentes e Sargentos, qual seja o de cumprirem as punições em alojamentos.
2º - Juntamente com o Subtenente Herotildes, Presidente do Centro Social dos Sargentos da Força Pública do Estado de São Paulo, e demais Diretores da época, conseguiu um empréstimo de Cr$ 2 milhões de cruzeiros, e doação da atual área onde se encontra edificada a Associação dos Subtenentes e Sargentos, na Avenida Cruzeiro do Sul, 248, no bairro do Pari, dinheiro este empregado na construção dos 1º e 2º andares da Associação. Ainda ao lado de Herotildes, conseguiu junto ao governador Jânio Quadros a edição da Lei 254/54, que concedia a promoção aos 25 anos de serviço, na passagem para a inatividade, dos 1º Sargentos e Subtenentes ao posto de 2º Tenente Reformados. Conseguiram, ainda a criação do antigo Quadro Auxiliar de Administração (Q.O.A.), hoje extinto, que permitia aos 1ºs Sargentos e Subtenentes a possibilidade de promoção a 2º Tenente PM. Lutou ainda pela valorização dos Sargentos e Subtenentes. Em 1964, com a instalação do Governo Militar de Castelo Branco, sofreu inúmeras ameaças, mas nunca se amedrontou, e classificado no Batalhão de Guardas (antigo BG) sob o comando do ex-Tenente-Coronel Jaime dos Santos, primeiro a organizar o Congresso das PMs em Santos, conseguiu Gesofato voltar para o "Comportamento Bom" e, assim, foi promovido a 2º Sargento PM, por antiguidade. E em seguida, com o desmembramento dos serviços de segurança em presídios (antigo DIPE) foi promovido a 1º Sargento e classificado no 15º Batalhão de Polícia, encarregado de fazer a guarda externa e até interna das Penitenciárias e casa de Detenção do Estado de São Paulo, onde permaneceu por mais de 5 anos, aperfeiçoando-se, assim, no serviço de segurança, contribuindo na organização do 15º Batalhão, até que retornou para o Quartel General, para servir na Diretoria de Ensino, ao lado dos Coronéis João Áureo Campanha e Edmur Moura Salles, quando no Comando da Força Pública se encontrava o Coronel do Exército, João Batista de Figueiredo, que mais tarde viria a ser Presidente da República. Gesofato Vernin, como 1º Sargento e Subtenente participou dos trabalhos preparativos da extinção da Força Pública e Guarda Civil, determinados pelo Presidente Emílio Garrastazu Médici, já com o General João Figueiredo na chefia da Casa Civil. E extamente no dia 31 de dezembro de 1969 eram extintas as duas corporações, por Decreto do Presidente Médici. Gesofato luto muito, junto com a Diretoria de Planejamento do Quartel General, quando o Coronel PM Edmur de Moura Sales era diretor, para concluir o Projeto de Decreto Lei 217, de 8 de abril de 1970, que visava dar aos Subtenentes da extinta Força Pública, as mesmas condições dos Inspetores da Guarda Civil, também extinta. E assim, preteridos em suas pretensões, os Subtenentes da extinta Força Pública foram integrados à atual Polícia Militar do Estado de São Paulo no mesmo posto, enquanto que os Inspetores da extinta Guarda Municipal foram integrados como 2º Tenentes.

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